70% das empresas de tecnologia educacional oferecem produtos para educação básica

A pandemia do coronavírus (COVID-19) colocou o setor de tecnologia educacional sob os holofotes. Nas últimas semanas, gestores, escolas, professores e famílias certamente passaram por lojas de aplicativos ou receberam ofertas gratuitas de recursos digitais para apoiar o aprendizado de estudantes durante a quarentena. Entender essa diversidade de opções leva tempo, tudo o que gestores e educadores não têm neste momento.

Um novo estudo divulgado pelo CIEB (Centro de Inovação para a Educação Brasileira) e pela Abstartups (Associação Brasileira de Startups) ajuda a entender o ecossistema ao mapear 449 edtechs (23% mais do que na última pesquisa, de 2019). Dentre elas, 70,6% olham para a educação básica, ou seja, educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

“O mapeamento é muito importante para identificar como o mercado cresceu nos últimos anos. No entanto, a gente ainda percebe a dificuldade que as empresas têm não só para testar, como fazer com que as redes de ensino públicas incorporem os produtos em seu processo de ensino aprendizagem”, afirma Lucia Dellagnelo, diretora-presidente do CIEB.

Esses obstáculos, de acordo com Lúcia, têm origem em dois fatores. “Um deles é a cultura do setor educacional. O segundo é que qualquer mudança precisa ter a adesão de professores e transformar práticas pedagógicas, o que não acontece de um dia para o outro”.

Ao acompanhar de perto o trabalho de secretarias para desenvolver estratégias de aprendizagem remota durante a quarentena do coronavírus, Lúcia ressalta que a falta de integração entre os produtos de tecnologia tem sido um ponto de dificuldade a tecnologia chegue mais rápido a professores e alunos. “Isso é uma lição que vai ficar para todos nós”.

Tendências

O estudo feito pelo CIEB e pela Abstartups também ajuda a enxergar tendências entre as empresas brasileiras de tecnologia educacional. O mercado é dominado por recursos digitais do tipo plataforma, que oferecem diferentes funcionalidades em um único produto. Nada menos que 67% são identificados desta maneira. “As empresas apostam no formato de plataforma para trazer uma solução mais completa, capaz de atender diferentes necessidades da escola, do professor e do aluno”, disse Mairum de Andrade, gerente de tecnologias educacionais do CIEB.

Ser uma plataforma, segundo Andrade, faz parte de uma linha evolutiva de muitas empresas, que começam atacando um único problema e acabam se abrindo para conquistar uma fatia de mercado maior. “Tem empresas que começaram com serviço de envio de mensagens, depois incorporaram boletim digital, atividades e acabaram virando uma plataforma gigante. A partir de algo mais específico, vão adicionando funcionalidades até se transformar em plataformas complexas”, analisa.

Se pelo formato já é possível dizer para onde o setor vai, no modelo de negócio a consolidação também é clara. A maior parte das empresas trabalha com assinaturas (SAAS, software como serviço, na sigla em inglês), em que a escola paga pelo tempo que estiver usando. Trata-se de um modelo que facilita a vida de redes privadas, que podem estabelecer um processo de compra mais ágil. “A escola pode até testar a solução antes de comprar”, diz Andrade.

No setor público, no entanto, o serviço de assinatura não é bem descrito na lei 8666, que trata das regras de licitações e contratos, o que dificulta tanto o teste quanto a contratação em si. Segundo o representante do CIEB, ainda existe uma divergência de entendimentos sobre os serviços que funcionam em “nuvem”. “Os órgãos de controle questionam a disponibilidade e a segurança dos dados porque eles ficam dentro da plataforma e dos servidores do fornecedor”.

Altos e baixos

As mais recentes reformas educacionais, como a criação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e o novo ensino médio, também impactaram o ecossistema, que passou a responder à demanda das redes de ensino. “Eu destacaria uma área que está crescendo agora é a de gerenciamento de currículos, por conta da BNCC. Ainda é pequena e só tem algumas edtechs com soluções para isso”.

Nem só a demanda dita o interesse das empresas. Produtos digitais para o trabalho do professor em sala de aula, por exemplo, têm diminuído sua participação no mercado. Nesta categoria, estão soluções como diário digital, controle de frequência, monitoramento de dispositivos dos alunos e de distribuição de atividades durante a aula.

“No mapeamento, elas aparecem com menor participação tanto em sistemas quanto em ferramentas, só que o professor ainda tem o desafio de usar os dispositivos de forma mais natural”, disse Andrade, que aponta um direcionamento do mercado para soluções que atendam diretamente ao aluno. Apesar da necessidade, diz ele, a barreira para venda fez com que as empresas tenham optado por seguir outros caminhos para conseguir sobreviver.

 

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