Gasto com educação precisa ter mais eficiência, dizem especialistas

Especialistas em educação afirmam que o desafio do Brasil não é só ampliar os investimentos no setor, mas também melhorar a eficiência do gasto. Mais difícil do que aumentar o número de matrículas, segundo eles, é garantir qualidade de ensino às crianças e adolescentes do País.

Foi divulgado nesta terça-feira, 10, o relatório Education at a Glance 2019, feito pela Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade que reúne os países mais ricos do mundo e alguns convidados. O Brasil investiu 4,2% do seu PIB em educação fundamental e média em 2016, acima da média da OCDE, que é 3,2%. Essa situação tem se repetido ao longo dos anos e, para muitos educadores, não é possível olhar apenas para a porcentagem gasta com relação ao PIB para determinar se o Brasil gasta muito ou pouco em educação.

Comparar a fatia do Produto Interno Bruto (PIB) aplicada pelo Brasil no setor com a proporção gasta pelas nações desenvolvidas pode ter distorções, diz Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração do Cenpec Educação. `O Brasil tem um atraso histórico em relação à educação. Como tem um atraso, inclusive no acesso, há um gasto maior que os países que já têm uma estrutura que está consolidada há muitos anos`, defende ela.

`O Brasil vem melhorando o acesso à educação nas últimas décadas, mas ainda peca muito na questão da qualidade. E melhorar a qualidade é mais difícil do que aumentar o acesso`, aponta Gabriel Corrêa, gerente de políticas educacionais da ONG Todos Pela Educação. Ele explica que o melhor posicionamento do País na graduação é resultado de uma `política histórica de investimento no ensino superior.`

Corrêa ressalta que é preciso aprovar mudanças no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que hoje corresponde a cerca de 63% dos recursos da educação básica brasileira, segundo dados do Ministério da Educação. Com prazo de vigência até dezembro de 2020, o mecanismo tem sua renovação discutida na Câmara e no Senado atualmente.

`Precisa ser distribuído melhor, para que todas as redes de ensino tenham condições básicas. O Fundeb ajuda a reduzir as diferenças`, diz ele.

 

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