Campos de Experiência na prática: como trabalhar “escuta, fala, pensamento e imaginação” na Educação Infantil

Como você tem aplicado os Campos de Experiência da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) na sua escola? Para buscar essa resposta, NOVA ESCOLA conversa com profissionais de todo o país para conhecer suas propostas e entender como cada um tem elaborado atividades para traduzir a Base da Educação Infantil em experiências pedagógicas ricas para bebês e crianças. Já abordamos boas práticas ligadas aos campos “O eu, o outro e o nós”, “Corpo, gestos e movimentos” e “Traços, sons, cores e formas”. Agora, entramos no Campo “Escuta, fala, pensamento e imaginação”.

Nesta série, na qual já abordamos "O eu, o outro e o nós" , "Corpo, gestos e movimentos" e "Traços, sons, cores e formas" trazemos exemplos de atividades que professores de todo o país estão desenvolvendo com bebês e crianças tendo como base os Campos de Experiência. Desta vez, vamos tratar sobre o campo “Escuta, fala, pensamento e imaginação”.

É importante apontar que, como ressalta a própria BNCC e diversos especialistas em Educação, as atividades podem e devem abarcar mais de um Campo de Experiência ao mesmo tempo, a depender da criatividade e proposta dos educadores. Aqui, buscamos destacar nos relatos dos professores aqueles campos que são preponderantes, enfatizando os impactos e possibilidades de cada um deles.

Conheça os 5 Campos de Experiência

Os 5 Campos de Experiência ocupam espaço importante do novo documento da Educação Infantil. São eles:

1. O eu, o outro e o nós

2. Corpo, gestos e movimentos

3. Traços, sons, cores e formas

4. Escuta, fala, pensamento e imaginação

5. Espaço, tempo, quantidades, relações e transformações

Os Campos de Experiência despertam a reflexão de professores e coordenadores sobre quais são as experiências fundamentais para que a criança aprenda e se desenvolva integralmente. NOVA ESCOLA traz uma série dedicada aos 5 Campos de Experiência, com atividades práticas para explorar cada um – e que podem ser complementadas com curso sobre o tema e planos de atividade produzidos pelo nosso Time de Autores.

CAMPO DE EXPERIÊNCIA: ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO

Desde o nascimento, as crianças participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais interagem. As primeiras formas de interação do bebê são os movimentos do seu corpo, o olhar, a postura corporal, o sorriso, o choro e outros recursos vocais, que ganham sentido com a interpretação do outro. Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu veículo privilegiado de interação. Na Educação Infantil, é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social. Desde cedo, a criança manifesta curiosidade com relação à cultura escrita: ao ouvir e acompanhar a leitura de textos, ao observar os muitos textos que circulam no contexto familiar, comunitário e escolar, ela vai construindo sua concepção de língua escrita, reconhecendo diferentes usos sociais da escrita, dos gêneros, suportes e portadores. Na Educação Infantil, a imersão na cultura escrita deve partir do que as crianças conhecem e das curiosidades que deixam transparecer. As experiências com a literatura infantil, propostas pelo educador, mediador entre os textos e as crianças, contribuem para o desenvolvimento do gosto pela leitura, do estímulo à imaginação e da ampliação do conhecimento de mundo. Além disso, o contato com histórias, contos, fábulas, poemas, cordéis etc. propicia a familiaridade com livros, com diferentes gêneros literários, a diferenciação entre ilustrações e escrita, a aprendizagem da direção da escrita e as formas corretas de manipulação de livros. Nesse convívio com textos escritos, as crianças vão construindo hipóteses sobre a escrita que se revelam, inicialmente, em rabiscos e garatujas e, à medida que vão conhecendo letras, em escritas espontâneas, não convencionais, mas já indicativas da compreensão da escrita como sistema de representação da língua.

O quarto Campo de Experiência da BNCC é aquele que valoriza a comunicação como potencializadora do desenvolvimento infantil. “É a dimensão que envolve a capacidade de se comunicar e expressar. É o início do gosto pela leitura e escrita, da habilidade de contar e ouvir histórias. Liga-se ao conhecimento do mundo, à imaginação e à percepção”, explica a consultora e doutora em Educação pela PUC-Rio Andrea Ramal.

Esse campo enfatiza que bebês e crianças aprendem interagindo com seus pares e com os adultos. E muito desse aprendizado ocorre por meio da fala. “Na interação com educador e os colegas, as crianças se apropriam da linguagem oral, ampliam o seu vocabulário e enriquecem seus recursos de comunicação verbal”, avalia Aline Castro, autora e coordenadora pedagógica. Uma forma de fazer isso é ouvir os adultos e a maneira como pronunciam as palavras. O educador Jones Brandão incentiva que os professores invistam em atividades de leitura e contação de histórias. “Uma contação de história pode ter o final modificado a partir da imaginação da turma falando ou escrevendo novos desfechos”, sugere.

Até mesmo a escrita, uma habilidade adquirida pelas crianças em idade mais avançada, já pode ser introduzida, de modo que tenham contato com essa linguagem desde os primeiros anos de vida. “É indiscutível que a linguagem escrita também faz parte das experiências dessa fase”, afirma o especialista em Arte-Educação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) Wagner Priante. Por exemplo: o contato com os textos permite às crianças compreender que o que se diz pode ser escrito. “E que a escrita permite recordar o que foi dito e vivido. As histórias lidas pelo professor, por exemplo, são um meio de abordar o texto escrito, que suscita e desperta o desejo de aprender a ler”, analisa o autor.

 

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