Professor cria jogos para ajudar no aprendizado de literatura

Atrair a atenção dos estudantes é dos muitos desafios enfrentados por professores, todos os dias. Foi buscando alternativas que despertassem o interesse em sala de aula que o professor de língua portuguesa, literatura e cultura do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), Rodrigo Alves, passou a desenvolver jogos para serem utilizados como atividades de fixação e revisão de conteúdos.

Professor do campus de Divinópolis, Alves dá aulas há mais de 20 anos e teve a ideia de criar os jogos em 2012. Ele chamou alguns estudantes do próprio Cefet, conseguiu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e passou a executar o projeto de extensão no mesmo ano.

“A ideia surgiu primeiro da minha experiência como professor de literatura do ensino médio, porque passei a perceber a dificuldade dos alunos para lidar com as estratégias que são utilizadas para aprender a literatura – especialmente, a repetição de atividades nos livros didáticos. Aí, veio a ideia de tentar usar de um tipo de pegada pedagógica que se associasse à cultura juvenil. E me ocorreu utilizar os jogos”, conta.

Alves reuniu, então, alguns estudantes do Cefet para ajudar na criação. Os primeiros jogos são os analógicos, ou seja, de papel. Embora a produção de jogos digitais venha aumentando à medida que o projeto se expande, as versões mais tradicionais continuam a ser produzidas. Inclusive pela dificuldade que algumas escolas ainda têm com o acesso à tecnologia. “Os próprios alunos, quando entram em contato com os jogos por meio dos grupos experimentais, começam a dar sugestões, principalmente, nos jogos analógicos. A criação tem sido coletiva e a receptividade, muito boa”, observa o professor.

Trabalhado ainda como um protótipo, o projeto está chegando no momento de sair dos muros do Cefet. Para isso, Alves e sua equipe pretendem construir kits para serem distribuídos nas escolas, de preferência, as públicas. A ideia tem sido apresentada em diversas feiras, como a Inova Minas, realizada na capital mineira entre os dias 15 e 17 de setembro. Também foi apresentada em um evento do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca-Unicamp), no qual conquistou o segundo lugar na categoria protótipos.

Em novembro, os jogos serão apresentados na segunda edição da Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia (Finit), em Belo Horizonte, promovida pelo governo do estado. Participam startups, grandes empresas, estudantes, pesquisadores, profissionais da área de tecnologia e interessados nas temáticas do evento. É lá que o professor espera captar apoio para converter os jogos nos kits e começar a distribuição.

Além do professor orientador Rodrigo Alves, fazem parte do projeto bolsistas da Fapemig; os estudantes de engenharia mecatrônica Guilherme Gazzinelli e Matheus Lara; os voluntários do curso técnico de informática Laura Santos, Lucas Niess e Mário Vitor Kern; e o ex-aluno Orlando Enrico Liz.

 

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