O presente e o futuro da educação digital

A Contec – conferência realizada pela Feira de Frankfurt no Brasil – terminou na última terça-feira (18/02), em São Paulo, com uma certeza: a educação digital é uma necessidade e o caminho agora é aprender a lidar com ela. Nas palestras que ocuparam o SESC Vila Mariana durante todo o dia de ontem, foram discutidos temas aprendizado interativo, as ferramentas que estão revolucionando as formas de ensinar, as dificuldades para garantir e ampliar o acesso a este novo mundo digital, os diversos modelos de aprendizagem, a geração do compartilhamento, os jogos na escola e o acompanhamento dos alunos neste novo tempo.
 

Em sua avaliação final, Marifé Boix García, vice-presidente da Feira do Livro de Frankfurt, comentou: “Sabemos que os resultados na escola dependem da interação das crianças com os professores. A tecnologia poder facilitar o aprendizado e ajudar a ganhar maior atenção dos alunos, mas para estar pelo menos na mesma altura é indispensável que os educadores dominem as ferramentas tecnológicas”.
 
Um dos pontos altos da conferência foi o painel (R)Evolução do conteúdo: as últimas novidades em aprendizado interativo apresentado por Michael Ross, vice-presidente sênior e gerente geral da Britannica Digital Learning, divisão de educação de Encycloepaedia Britannica. Ele foi taxativo: “Estamos todos preocupados em ensinar e aprender, mas a forma e o meio estão mudando rapidamente. Todos queremos uma cidadania educativa e para isso é preciso estar aberto às mudanças. Os estudantes de hoje são os nativos digitais e todos os que têm mais de 25 anos podem ser considerados imigrantes nesse mundo. As editoras, as escolas, pais e professores precisam se adaptar a essas mudanças. De alguma maneira vamos manter o pé no passado, mas precisamos eliminar a exclusão digital”.
 
Com mediação do diretor do PublishNews, Carlo Carrenho, a mesa O “novo” sempre quer dizer “melhor”  discutiu o papel do livro digital e das novas tecnologias na educação. Heather Crossley, editora do selo Ladybird da editora britânica Penguin Heather explicou que a empresa quer fornecer conteúdos para todas as idades: “No coração de tudo o que a gente faz está a vontade de contar histórias. Se a criança não lê, não consegue aproveitar o seu potencial completo, não pode aproveitar o que a vida tem a lhe oferecer. Tanto o livro físico quanto o digital trazem experiências para as crianças”. Udi Chatow, gerente de desenvolvimento de negócios mundiais em educação da HP,  expôs o ponto de vista da divisão de educação da empresa, um modelo híbrido, que combina as melhores possibilidades do modelo impresso aos aplicativos e outras tecnologias digitais. “Muitas vezes imprimir ainda é a melhor solução. Sabemos que os leitores leem mais rapidamente e a compreensão é melhor através de materiais impressos, preferidos pela maioria dos estudantes”. Colin Lovrinovic, gerente internacional de vendas da editora alemã Bastei Lübbe, disse que estão tentando entender o que os leitores estão procurando hoje: “Pegamos o mesmo livro e fazemos versões em e-books, apps e áudio”. Para Dolores Prades, editora da revista nacional Emília, temos um longo caminho pela frente: “ainda não há bibliotecas em muitas cidades, mas é positivo que a tecnologia esteja sendo inserida nas escolas públicas”.
 
No painel Sinais do Futuro... Hoje: inovação em educação uma perspectiva internacional, a jornalista e empreendedora Ana Penido, da Inspirade, acredita no ensino híbrido: “Mas para isso é necessária a formação de professores, apostamos na mediação deles. A curadoria do professor ganha ainda mais importância em um mundo de grande oferta de informações”.  O  jornalista André Gravatá, coautor do livroA volta ao mundo em 13 escolas  ressaltou a importância da participação dos professores: “Percebi que a gente acaba preocupado com a curadoria e esquece a cuidadoria, que é melhor técnica para realmente transformar a educação”
 
A mesa O acesso é tudo também teve a mediação de Carrenho e nela foram discutidos a importância de estar atento às transformações e de buscar conteúdos interessantes e novas formas de compartilhar o conteúdo. Participaram da palestra o editor argentino e colunista do PublishNews Octavio Kulesz, o espanhol David Sánchez, da 24symbols e o brasileiro Flavio Aguiar, da Widbook. Juntos, eles concluíram que essa parece ser a fórmula para que os editores e provedores de mídia consigam facilitar o acesso aos conteúdos digitais de qualidade na educação.
 
A diretora do Center for Teaching through Children’s Book, Junko Yokota e consultor internacional de projetos literários britânico Neil Hoskins participaram do painel Qual é o limite? Quando o acesso digital se torna uma distração. A partir de exemplos práticos interativos de livros digitais, Juno reforçou como as imagens, animações e possibilidades interativas dos livros digitais aprofundam a compreensão da informação. Já Neil sugeriu um modelo híbrido de livro impresso com um livreto que serve como guia anexo em forma de aplicativo.
 
O painel Que os jogos se iniciem: a Gamificação na educação teve participação de Carminha Branco, diretora editorial da Editora Saraiva. Para ela, 0"hoje revisitamos as estratégias do lúdico, através de nova roupagem, com apelo maior. Nem salvação, nem placebo. Os jogos são importantes na aprendizagem, combinam força e o lado da emoção".  Para o co-fundador do Kiduca, Jorge Proença, "os jogos desenvolvem habilidades e representam uma das atividades favoritas das crianças, com retorno entusiástico e positivo”.
 
A sessão interativa Alimento para o pensamento e modelos de aprendizado híbridos teve a participação de Udi Chatow, especialista em educação da HP,  e  Hamilton Terni Costa, diretor, AN Consulting, Brasil. Os dois concordaram que é importante escolher a tecnologia certa para cada situação para conseguir engajar os alunos no aprendizado. O modelo híbrido é o melhor dos mundos.
 
No painel Tendências na Educação. A sociedade muda rapidamente, e a educação?, a doutora  Lucia Dellagnelo, coordenadora da Educação do Tec Project, Brasil, enfatizou que, na verdade, estamos buscando novas soluções para velhos desafios intrínsecos ao processo de  aprendizagem Segundo ela, a Internet trouxe muitas transformações e desafios para o setor educacional, mas faz uma ressalva : “Se compararmos com outros instituições, a escola não sofreu tantas mudanças, mas temos que pensar em um novo ecossistema  em que pesquisadores, desenvolvedores de tecnologia e professores trabalhem dentro da escola. O acesso rápido à informação e à inovação mudaram, mas o  processo de aprendizagem pode ser realizado em qualquer momento e em qualquer lugar”.
 
Avaliando o sucesso do aluno - O que significa ser um estudante bem sucedido no século 21? Para responder essa pergunta e aprofundar o tema foram convidados a polonesa Jolanta Galecka, especialista em Marketing Online, Young Digital Planet; Sean Kilachand, co-fundador da startup brasileira EduSynch  e Claudio Sassaki, cofundador da Geekie, Brasil. Eles falaram sobre as novas plataformas que podem ajudar na avaliação dos alunos. Aprender é um processo bem complexo e que depende de diferentes sentidos. Testes de múltipla escolha não dão essas respostas”, disse Jolanta.
 
Encerrando a programação da Contec em São Paulo, o painel A geração do compartilhamento: aprendizado e mídia social contou com a participação do chefe de pesquisa da Edmodo, Vibhu Mittal, e de Brasiliana Passarelli, da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP).   Brasiliana discorreu sobre a revolução trazida pela internet, "com ambiente multimídia e narrativas não lineares, normais para os nativos digitais mas não para os imigrantes digitais. Quando criamos conteúdo para tablets em escolas, não basta apenas pensar no conteúdo, mas também em uma logística de por quanto tempo os alunos vão acessar o conteúdo e de que forma"
 
A Contec terá uma nova edição na próxima quinta-feira (20/02), na cidade gaúcha de Canoas. Informações e inscrições pelo site da Contec.
 
* Com informações da assessoria de imprensa

 





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